Encontro conduzido pelo diretor técnico da unidade abordou estratégias de cuidado para pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais da doença

A esquizofrenia é um transtorno mental crônico que pode comprometer a percepção da realidade, o pensamento, as emoções e o comportamento. Embora muitos pacientes apresentem melhora com o uso de medicamentos antipsicóticos, uma parcela continua manifestando sintomas mesmo após diferentes tentativas terapêuticas. Essa condição é conhecida como esquizofrenia refratária e exige abordagens específicas para garantir mais qualidade de vida e estabilidade clínica.
Com o objetivo de fortalecer o cuidado oferecido a esses pacientes, o PAI-ZN (Polo de Atenção Intensiva em Saúde Mental da Zona Norte), serviço gerenciado pela Sociedade Brasileira Caminho de Damasco (SBCD) em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, realizou uma atividade de atualização voltada aos profissionais da equipe multiprofissional da unidade.
O encontro foi conduzido pelo médico psiquiatra e diretor técnico do PAI-ZN, Dr. Bruno Ortiz, que apresentou aspectos clínicos relacionados ao diagnóstico da esquizofrenia refratária, os critérios para indicação da clozapina e os cuidados necessários durante o acompanhamento dos pacientes.
Medicamento considerado referência para casos refratários
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, a esquizofrenia refratária é caracterizada pela persistência dos sintomas mesmo após o uso adequado de, pelo menos, dois antipsicóticos diferentes. Nesses casos, a clozapina é considerada o medicamento mais eficaz disponível.
Apesar dos resultados positivos, seu uso requer acompanhamento rigoroso devido à possibilidade de efeitos adversos que demandam monitoramento clínico e laboratorial periódico. Por isso, o trabalho integrado entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e demais profissionais da rede de cuidado é fundamental para garantir segurança e adesão ao tratamento.
Durante a atividade, os participantes também discutiram protocolos assistenciais, estratégias de monitoramento e situações vivenciadas no cotidiano dos serviços de saúde mental, promovendo a troca de experiências e o alinhamento de condutas entre as equipes.
Educação permanente a serviço do cuidado
Para a gerente assistencial do PAI-ZN, Nilha Bethânia, manter os profissionais atualizados é essencial para assegurar uma assistência cada vez mais qualificada aos usuários do serviço.
“A atualização constante das equipes permite que os pacientes tenham acesso a condutas baseadas em evidências e a um acompanhamento cada vez mais seguro e humanizado”, destacou. A iniciativa reforça o compromisso do PAI-ZN com a educação permanente e com a oferta de um cuidado integral em saúde mental. Ao investir na formação contínua de seus profissionais, a unidade amplia sua capacidade de resposta às necessidades dos usuários e fortalece a qualidade da assistência prestada à população da Zona Norte de São Paulo.